A 99 anunciou, nesta quarta-feira (1º), a suspensão dos planos de operar o serviço de transporte de passageiros por motocicletas, o popular "mototáxi", na cidade de São Paulo. A decisão foi comunicada ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) pelo CEO da empresa, Simeng Wang, e marca o fim de um embate de mais de um ano entre a gestão municipal e a plataforma. A empresa agora concentrará seus esforços nos serviços de logística e delivery, com o 99 Entrega e o 99 Food.

Fonte: Folha de S.Paulo
Entenda o Conflito
A gestão de Ricardo Nunes tem se mostrado contrária à oferta de mototáxis por aplicativos, justificando a decisão com base no aumento dos índices de acidentes e nos custos gerados ao sistema público de saúde. Em resposta ao avanço das plataformas, a prefeitura sancionou uma lei com regras rigorosas para disciplinar o uso do transporte de passageiros por motos, o que desestimulou o credenciamento da 99 para esta modalidade.
A Posição da Prefeitura
"Nossa preocupação é com a segurança do motoqueiro e do passageiro. Fico muito feliz que vocês entenderam", afirmou o prefeito Ricardo Nunes durante o encontro com o CEO da 99. Segundo Nunes, a complexidade do trânsito paulistano exige investimentos em segurança que tornam o modelo de mototáxi por aplicativo inviável nos moldes pretendidos anteriormente. A prefeitura informou que está aberta ao diálogo para outras parcerias, desde que a segurança seja a prioridade.
Propostas da 99 para o Futuro
Ainda segundo a prefeitura, para retomar o diálogo, a 99 apresentou propostas voltadas à segurança e ao bem-estar dos entregadores. Entre as medidas, destaca-se a criação de pontos de apoio para motociclistas, com a primeira unidade prevista para ser inaugurada ainda em 2026. Estes espaços servirão como locais de descanso e suporte para a categoria, uma demanda antiga dos trabalhadores de aplicativos.
Outras Iniciativas Propostas
- Compartilhamento de dados com a prefeitura para a criação de um mapa de risco de acidentes, emitindo alertas automáticos em áreas críticas.
- Implementação de um sistema de avaliação de condutores baseado em telemetria, monitorando aceleração e frenagem, com bonificações para quem respeitar as normas e exclusão para infratores.
A gestão Ricardo Nunes informou que irá avaliar as propostas, mas reafirma que a prioridade absoluta permanece na redução da sinistralidade no trânsito da maior cidade do país. Será que essas novas propostas serão suficientes para garantir a segurança e o bem-estar dos motociclistas e passageiros?
Repercussão e Próximos Passos
A decisão da 99 ocorre meses após a regulamentação do serviço de transporte por motos na capital paulista, sancionada em dezembro de 2025. Na época, empresas como 99 e Uber já haviam sinalizado a intenção de retomar o serviço na cidade, mas desistiram após a aprovação das regras, consideradas rígidas pelas plataformas. As multas por descumprimento das novas regras podem variar de R$ 4 mil a R$ 1,5 milhão por dia.
"A cidade é complexa, e nossa preocupação é com a segurança do motoqueiro e do passageiro", afirmou o prefeito Ricardo Nunes.
O futuro do transporte de passageiros por motocicletas em São Paulo permanece incerto. A prefeitura segue irredutível em sua postura de priorizar a segurança, enquanto as empresas buscam alternativas para viabilizar o serviço dentro das normas estabelecidas. A população aguarda um desfecho que equilibre as necessidades de mobilidade urbana com a garantia da segurança no trânsito.
A 99, por sua vez, reafirma seu compromisso com o diálogo e a busca por soluções que contribuam para a melhoria da mobilidade urbana em São Paulo, focando agora em seus serviços de entrega e logística.
A empresa informou que o foco, no momento, é a 'expansão do food e outros serviços'.