O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o adiamento por cinco dias do ultimato ao Irã, que previa ataques à infraestrutura energética do país. A decisão ocorre após relatos de negociações entre os dois países, embora o Irã não tenha confirmado o diálogo diretamente. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (23), poucas horas antes do prazo final estabelecido por Trump para a reabertura do Estreito de Hormuz.

Fonte: Folha de S.Paulo
Negociações em Curso?
Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do país declarou que Trump busca apenas ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão sobre o mercado de petróleo. Confirmou, no entanto, que existem "iniciativas para reduzir a tensão", mas que Teerã aceitará propostas apenas diretamente dos Estados Unidos. A Press TV, também estatal, contradiz essa versão, afirmando, com base em informações anônimas, que não houve contato algum e que a decisão de Trump foi um recuo diante da ameaça iraniana de retaliar contra alvos no Golfo Pérsico.
"Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, ao longo dos dois últimos dias, boas e produtivas conversas acerca da resolução total de nossas hostilidades no Oriente Médio", afirmou Trump.
Trump reiterou em entrevista à Fox News que o Irã "quer muito" um acordo e que isso pode acontecer em cinco dias ou menos, o que contradiz as declarações de Teerã. O presidente americano, que anteriormente alegava não ter com quem conversar, volta à sua estratégia de aumentar a pressão para depois estender ou ignorar prazos, como já fez nas negociações da Guerra da Ucrânia.
Reação do Irã e Implicações
Para o Irã, mesmo que as negociações ocorram de fato, seria uma oportunidade de declarar vitória após os intensos bombardeios e de afirmar que Trump estaria recuando sob pressão. Trump determinou a trégua específica dos ataques que não haviam começado, ameaçando anteriormente usinas de energia iranianas. Não houve menção a ações contra outros alvos, como instalações militares ou o programa nuclear, nem sobre a participação de Israel na suspensão dos ataques.
Uma série de bombardeios israelenses contra Teerã causou apagões em partes da capital iraniana na madrugada desta segunda-feira. O governo iraniano, por sua vez, reafirmou que irá retaliar se Trump atacar, considerando toda a infraestrutura energética de Israel e bases americanas na região como alvos. Em caso de ataque à costa do país, o Estreito de Hormuz seria fechado e todo o Golfo Pérsico minado.
Impacto no Mercado de Petróleo
A ameaça de fechamento do Estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás natural do mundo, elevou a tensão e o preço do petróleo. O barril do tipo Brent chegou a quase US$ 120, fechando a semana em US$ 112. Após o anúncio de Trump, o petróleo Brent chegou a cair mais de 10%, operando abaixo de US$ 100 o barril.
O Goldman Sachs elevou suas previsões para o preço do petróleo, esperando que o Brent atinja uma média de US$ 110 em março e abril. A manutenção do fluxo pelo Estreito de Ormuz em níveis reduzidos pode levar os preços a ultrapassarem o recorde de 2008.
Outras Ações e Reações
Antes do ultimato, Trump havia sinalizado uma possível desaceleração da guerra. No domingo, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, sugeriu uma ação terrestre contra a ilha de Kharg, centro exportador de petróleo do Irã. Há 5.000 fuzileiros americanos a caminho do Oriente Médio.
O governo britânico também realizou uma reunião de emergência para avaliar a crise. O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que não há evidências de que o Irã esteja atacando o Reino Unido. Uma base britânica em Chipre foi alvejada por drones, e mísseis tentaram atingir uma unidade militar na ilha de Diego Garcia.
Discrepâncias nos Dados Militares
Enquanto o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os ataques contra o Irã estavam aumentando, dados do Comando Central dos EUA mostram um ritmo variado nas últimas três semanas. Essa discrepância reflete um possível descompasso entre a comunicação da guerra e a realidade no terreno. Hegseth alegou que as defesas aéreas do Irã foram dizimadas e sua base industrial destruída, mas os EUA enfrentam dificuldades para garantir a passagem segura de navios comerciais no Estreito de Hormuz.
O que essa pausa significa para o futuro da relação entre os EUA e o Irã? A suspensão do ultimato por Trump representa uma oportunidade para uma solução diplomática ou apenas um adiamento de um conflito inevitável? A resposta a essas perguntas moldará o futuro do Oriente Médio e os mercados globais de energia.
Um incidente em Londres também chamou a atenção, com o incêndio de quatro ambulâncias de um serviço de emergência da comunidade judaica, classificado por Starmer como um "profundamente chocante ataque antissemita".