França, Itália e Espanha impuseram restrições ao uso de seu espaço aéreo e bases militares por parte dos Estados Unidos e Israel em operações relacionadas à guerra no Irã. A decisão, tomada em meio a crescentes tensões entre Washington e seus aliados europeus, gerou críticas por parte do ex-presidente Donald Trump, que acusou os países da OTAN de “inúteis”. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem se posicionado como um dos críticos mais veementes da atuação dos EUA no conflito.

Fonte: VEJA
Restrições e Reações
A Espanha proibiu aviões de guerra americanos de usar seu espaço aéreo para missões bélicas, forçando a transferência de operações de reabastecimento para bases na Alemanha. A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, classificou a guerra como "absolutamente ilegal e absolutamente injusta". A Itália negou permissão para que aeronaves militares dos EUA pousassem na base aérea de Sigonella, na Sicília, alegando falta de autorização prévia. A França também fechou seu espaço aéreo para o transporte de armas destinadas a Israel.
Trump respondeu às restrições com críticas duras, questionando a utilidade dos aliados da OTAN e afirmando que os EUA “se lembrarão” da falta de apoio. Em sua rede social, Truth Social, ele mencionou especificamente a França, acusando-a de ser “MUITO INÚTIL” em relação ao conflito.
O Papel da Espanha
O governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez, tem adotado uma postura crítica em relação à guerra, buscando um papel de mediador e defensor da paz. Sánchez convidou líderes de esquerda, como Lula da Silva e Gustavo Petro, para uma conferência em maio, visando construir uma união progressista. No entanto, sua atitude tem gerado controvérsia, especialmente devido aos laços históricos e geográficos da Espanha com países muçulmanos do Norte da África, que também estão sendo afetados pelo conflito.
A Espanha é um dos países com menores gastos de defesa na OTAN, investindo menos de 2% do orçamento, o que contrasta com a pressão para que os países europeus aumentem seus investimentos em defesa. A postura de Sánchez reflete uma opinião pública amplamente contrária à guerra, mas também pode ter implicações nas relações com os EUA e outros aliados.
Implicações e Perspectivas
As decisões da Espanha, Itália e França revelam uma crescente divergência entre os EUA e seus aliados europeus em relação à política externa e à gestão de conflitos internacionais. As restrições impostas podem dificultar as operações militares americanas no Oriente Médio e aumentar as tensões diplomáticas. Resta saber se a nova administração americana adotará uma postura mais conciliadora ou retaliatória em relação aos países que se opõem à sua política.
O que está em jogo no Estreito de Ormuz?
Além das operações militares diretas, a guerra no Irã tem gerado preocupações sobre o controle do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte de petróleo. O Irã ameaça tomar soldados americanos como reféns na região, o que poderia agravar ainda mais o conflito. O objetivo principal é impedir que o Irã tenha urânio com grau de enriquecimento compatível com bombas nucleares, o que poderia levar a uma intervenção ainda mais arriscada por forças especiais.
Em um momento de alta tensão geopolítica, a postura da Espanha e de outros países europeus sinaliza um possível realinhamento de forças e uma busca por alternativas à liderança americana na resolução de conflitos globais.