Em São José dos Campos (SP), o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso nesta quarta-feira (18) sob suspeita de feminicídio e fraude processual na morte de sua esposa, a PM Gisele Alves Santana. A prisão, efetuada pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM, ocorreu um mês após Gisele ser encontrada morta com um tiro na cabeça.
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Fonte: G1
Prisão e Investigações
O mandado de prisão preventiva foi expedido após a Polícia Técnico-Científica apresentar laudos que contradizem a versão inicial de suicídio. A Justiça Militar acatou o pedido de prisão, que também teve o aval do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da PM. A expectativa é que o Inquérito Policial Militar (IPM) seja concluído em breve.
Geraldo Leite Rosa Neto foi detido em seu apartamento, localizado na Rua Roma, no Jardim Augusta, região central de São José dos Campos. Ele será interrogado no 8º DP, na capital, e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes após exames de corpo de delito.
Detalhes da Investigação
Os laudos periciais revelaram inconsistências na cena do crime. A trajetória da bala e a profundidade dos ferimentos encontrados no corpo de Gisele indicam que ela não se suicidou. Além disso, foram encontradas mais manchas de sangue em outros cômodos do apartamento. Os exames toxicológicos descartaram o uso de drogas ou álcool por parte de Gisele, mas a polícia aguarda resultados complementares do IML e do IC para esclarecer a dinâmica do disparo.
Contestações e Declarações
A defesa do tenente-coronel, liderada pelo advogado Eugênio Malavasi, insiste na versão de suicídio e questiona a competência da Justiça Militar para julgar o caso. Ele pretende suscitar conflito de competência com a Justiça comum (Tribunal do Júri). Já a família de Gisele, representada pelo advogado José Miguel da Silva Júnior, celebra a prisão e aguarda a denúncia formal pelo Ministério Público, o julgamento e a condenação de Geraldo.
“Desde o início a família não acreditou que a Gisele poderia ter cometido suicídio [...] A gente aguarda agora que ele responda, que ele seja denunciado formalmente pelo Ministério Público, seja processado, vá a júri e seja condenado. Isso é o que espera a família”, declarou José Miguel da Silva Júnior.
Contexto e Histórico
O caso ganhou notoriedade após a divulgação de mensagens enviadas por Gisele a uma amiga, nas quais ela expressava medo do marido e mencionava ciúmes excessivos. A mãe da vítima também relatou um relacionamento abusivo, com o oficial sendo descrito como controlador e violento.
Um mês antes de sua prisão, o tenente-coronel recebeu a visita de um homem ligado a uma igreja evangélica em seu prédio. Imagens registraram o encontro, mas o visitante não quis se pronunciar à imprensa.
A morte de Gisele Alves Santana, que deixa uma filha de sete anos, inicialmente registrada como suicídio, agora é tratada como feminicídio, expondo a complexidade e as reviravoltas do caso.
O que diz a defesa
Em contrapartida, o advogado Eugênio Malavasi argumenta que a Justiça Militar não tem o direito de analisar, processar e julgar o caso, e nem de decretar medidas cautelares. Além disso, o criminalista disse que vai tentar suscitar conflito de competência com a Justiça comum (Tribunal do Júri).
Os laudos periciais apontaram lesões no rosto e no pescoço da policial, além de indicarem que o disparo foi feito à queima-roupa. Também não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos dela, o que levanta dúvidas sobre a hipótese de suicídio, inicialmente como o caso foi investigado.