Raízen Protocola Maior Recuperação Extrajudicial do Brasil: R$65 Bilhões

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (10), buscando renegociar uma dívida de R$ 65 bilhões. Este movimento a posiciona como o maior caso de recuperação extrajudicial da história do Brasil, superando o Grupo InterCement, que em 2024 buscou renegociar R$ 21,9 bilhões em dívidas.

O que é Recuperação Extrajudicial?

Diferente da recuperação judicial, que envolve a renegociação de todas as dívidas de uma empresa na Justiça, a recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie com um grupo específico de credores e, posteriormente, submeta o acordo à aprovação judicial. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) também anunciou um acordo com seus maiores credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial que engloba dívidas de R$ 4,5 bilhões.

Crescimento das Recuperações Extrajudiciais

O número de casos de recuperação extrajudicial tem aumentado desde 2020, impulsionado pela reforma da Lei de Falências, que tornou o processo mais ágil e acessível. Em 2025, foram registrados 78 casos, o maior número desde 2006, segundo o Obre (Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial). Uma das mudanças importantes foi a redução do quórum de aprovação dos credores, facilitando a validação dos acordos. A aprovação provisória passou a ser possível com o apoio de ao menos 33% dos credores, e a aprovação definitiva requer maioria simples (50% mais um). Durante o período de negociação, há suspensão do pagamento da dívida principal e dos juros.

Impacto dos Juros Altos

Juliana Biolchi, diretora do Obre, avalia que os juros elevados nos últimos anos têm contribuído para o aumento das recuperações extrajudiciais e judiciais. Ela ressalta que a crise econômica afeta diferentes setores, e que questões de gestão também precisam ser consideradas.

Reorganização Societária da Raízen

Além da renegociação da dívida, a Raízen prevê uma reorganização societária, incluindo possíveis fusões, cisões e incorporações de ações. Os detalhes da futura capitalização ainda serão discutidos, com a possibilidade de conversão de dívidas em ações, o que pode diluir as participações dos controladores, Cosan e Shell, ambos com 44% do negócio.

Credores da Raízen

Bancos internacionais, bondholders e securitizadoras detêm a maior parte dos passivos da dívida da Raízen. O The Bank of New York Mellon lidera a lista de credores individuais, com R$ 26,1 bilhões em crédito. Entre os bancos comerciais estrangeiros, o BNP Paribas possui créditos de aproximadamente R$ 4,2 bilhões. No mercado brasileiro, o Grupo Santander se destaca entre as instituições financeiras nacionais, com R$ 2,2 bilhões em créditos.

Motivos do Endividamento

A Raízen atribui seu endividamento à alta da taxa Selic e às variações nos ciclos de colheita, que impactaram as margens operacionais. O plano de recuperação estabelece a suspensão de pagamentos e a proibição da distribuição de dividendos até a homologação judicial da reestruturação. Qual o futuro da Raízen após essa reestruturação?

Postagem Anterior Próxima Postagem