Pobreza na Argentina atinge menor nível em 7 anos, dizem dados oficiais

A pobreza na Argentina registrou uma queda significativa, atingindo o menor nível em sete anos, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). No segundo semestre de 2025, 28,2% da população urbana, o equivalente a 8,5 milhões de pessoas, viviam abaixo da linha da pobreza. Este dado representa uma redução de 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre do mesmo ano.

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Fonte: G1

Detalhes da Pesquisa e Impacto

A pesquisa do Indec abrange 31 aglomerados urbanos, representando aproximadamente 30 milhões de habitantes. Quando projetado para o território nacional, estima-se que 13,2 milhões de pessoas estejam em situação de pobreza. Além da pobreza, o estudo também avaliou a indigência, que atingiu 6,3% da população (1,9 milhão de pessoas) no segundo semestre de 2025, uma leve melhora em relação aos 6,9% do primeiro semestre.

Para determinar a linha da pobreza, o Indec considera a renda familiar e o acesso a necessidades básicas, como alimentação, vestuário, transporte, educação e saúde. Já a indigência é definida pela falta de acesso a uma cesta básica de alimentos que supra as necessidades diárias de energia e proteína.

Análise Econômica e Desafios

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 4,4% em 2025, revertendo a retração de 1,3% observada em 2024. Apesar desse crescimento, especialistas apontam que ele se concentrou em setores específicos, com o consumo interno permanecendo fraco e o desemprego atingindo o maior nível desde a pandemia de Covid-19.

Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, explica que o consumo retraído está ligado ao ajuste fiscal promovido pelo governo de Javier Milei. O governo implementou medidas como a paralisação de obras federais e a suspensão de repasses a estados, além de cortes em subsídios, impactando diretamente o poder de compra da população.

O que dizem as autoridades?

"A acentuada redução da pobreza e da pobreza extrema deve-se ao crescimento econômico, ao processo de desinflação e ao fortalecimento dos programas sociais sem intermediários desde o início do governo", afirmou Luis Caputo, Ministro da Economia.

Perspectivas Futuras e o Governo Milei

O governo Milei tem como principal objetivo o controle da inflação, que, embora tenha caído para 31,5% em 2025, ainda é considerada alta. Tito Nolazco, da Prospectiva, ressalta que o desafio do governo é traduzir a estabilização macroeconômica em geração de empregos e aumento do consumo. Ainda segundo analistas, o governo deverá continuar com as reformas pró-mercado, buscando o apoio do setor privado e tentando reverter a recente suspensão de artigos da reforma trabalhista pela justiça.

Impacto Político e Próximos Passos

Especialistas avaliam que o crescimento do PIB e a queda da pobreza podem conferir credibilidade ao governo Milei, especialmente junto a mercados e setores favoráveis às reformas. No entanto, a ausência de melhoras consistentes no emprego e no consumo limita o impacto político positivo desses resultados. Economistas preveem um crescimento de 3,4% para o PIB da Argentina em 2026. Será que o governo conseguirá solidificar o apoio popular antes das próximas eleições?

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