A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, acelerou para 0,70% em fevereiro de 2026, conforme dados divulgados pelo IBGE. Esse aumento sucede a alta de 0,33% registrada em janeiro. Apesar da aceleração, essa é a menor taxa para um mês de fevereiro desde 2020, quando o índice foi de 0,25%. O setor de educação, com reajustes típicos do início do ano letivo, exerceu a maior pressão sobre o índice.
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Fonte: Valor Econômico
Impacto da Educação e Transportes
O grupo Educação apresentou a maior variação, com um aumento de 5,21%, respondendo por aproximadamente 44% do IPCA mensal. Os cursos regulares tiveram um aumento de 6,20%, refletindo os reajustes anuais. Dentre os segmentos de ensino, destacaram-se o ensino médio (8,19%), o ensino fundamental (8,11%) e a pré-escola (7,48%).
Os transportes também influenciaram o índice, com alta de 0,74%. Dentro deste grupo, as passagens aéreas registraram um aumento significativo de 11,4%. Outros itens que contribuíram para essa alta foram o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).
Alimentação e Combustíveis: Movimentos Divergentes
O grupo de Alimentação e Bebidas apresentou um aumento de 0,26%, impulsionado principalmente pela alimentação fora do domicílio, que subiu 0,34%. No entanto, a alimentação no domicílio também exerceu influência, com alta de 0,23%, devido ao aumento de preços de itens como açaí (25,29%), feijão-carioca (11,73%) e ovo de galinha (4,55%).
Em contraste, os combustíveis apresentaram uma queda de 0,47%, influenciada pela redução nos preços da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,1%). Por outro lado, o etanol (0,55%) e o óleo diesel (0,23%) registraram aumentos.
IPCA Acumulado e Perspectivas
O IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou em 3,81%, abaixo do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Essa é a menor variação para o período desde 2018, quando o índice foi de 2,84%. Em fevereiro do ano passado, a variação acumulada em 12 meses foi de 5,06%.
O que esperar?
Apesar da aceleração em fevereiro, a inflação se mantém dentro da meta estabelecida pelo governo. O acompanhamento dos próximos meses será crucial para avaliar se a pressão dos preços da educação e outros fatores pontuais se manterão ou se o índice retornará a patamares mais baixos. A política monetária do Banco Central e o cenário econômico global também serão determinantes para a trajetória da inflação nos próximos meses. Qual será o impacto dos eventos globais, como tensões geopolíticas e flutuações nos preços das commodities, na inflação brasileira ao longo do ano?