O dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 5,1340, atingindo os menores níveis desde maio de 2024. A moeda americana acumula uma desvalorização de 6,47% em relação ao real neste ano, impulsionada por fatores internos e externos. Especialistas recomendam cautela e compra estratégica, dependendo do objetivo do investidor.

Fonte: R7
Fatores que Influenciam a Queda do Dólar
Segundo Fabricio Tonegutti, especialista em direito tributário pela FGV e diretor da Mix Fiscal, a queda do dólar é resultado de uma combinação de fatores. O principal deles é a alta taxa de juros no Brasil, com a Selic a 15% ao ano, o que atrai investidores estrangeiros. A lei da oferta e procura entra em ação: com mais dólares entrando do que saindo do país, a moeda se torna mais barata.
“Primeiro, o Brasil está pagando juros muito altos. A taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano. Isso faz com que os investidores estrangeiros tragam o dinheiro para aplicar aqui.”
Além disso, o cenário internacional também contribui. Os Estados Unidos começaram a diminuir os juros, incentivando os investidores a buscarem lugares com maiores retornos. A entrada relevante de capital estrangeiro no início do ano também acentuou a oferta de dólares no mercado brasileiro.
Estratégias para Viajantes e Investidores
Para quem planeja viajar, o momento é favorável para a compra de dólares. No entanto, Tonegutti recomenda comprar aos poucos, distribuindo a compra ao longo do tempo para mitigar riscos. E para investimentos, qual a melhor estratégia?
O investimento em dólar é visto como uma forma de proteção e diversificação no longo prazo, não como uma tentativa de ganho rápido. As projeções de mercado indicam que o dólar pode voltar a subir ao longo de 2026, especialmente em ano de eleições, que costumam gerar oscilações.
Cenário e Perspectivas Futuras
Outros especialistas também compartilham suas visões sobre o futuro do dólar. Analistas do Itaú apontam que um cenário externo mais favorável, combinado com um prêmio de risco doméstico ainda contido e um amplo diferencial de taxas de juros, permitiu que o real fosse negociado em níveis mais valorizados. O banco revisou sua projeção cambial de R$ 5,50 para R$ 5,40 em 2026 e de R$ 5,70 para R$ 5,60 em 2027, ainda prevendo uma valorização do dólar em relação aos patamares atuais.
O Que Esperar do Câmbio?
O Morgan Stanley reconhece que o real continua fortemente impactado pelos possíveis resultados das eleições. No entanto, pesquisas recentes sugerem apoio a um resultado mais prudente do ponto de vista fiscal. O banco Pine ressalta que ainda há espaço para uma queda mais forte da divisa americana no primeiro semestre, podendo chegar perto dos R$ 5. Economistas da casa esperam que o cenário permaneça favorável no curto prazo, mas enxergam riscos no segundo semestre relacionados à questão tarifária. “Mantemos a estimativa de que o real valorize para perto de R$ 5 por dólar ainda neste semestre e que a taxa média em 2026 fique em R$ 5,21 por dólar dada a conjuntura externa e doméstica favoráveis”, destaca.
Robin Brooks, economista do Brookings Institution, projeta um valor justo ainda menor para o dólar: R$ 4,50.
Em resumo, a queda do dólar reflete a entrada de moeda americana no Brasil e o cenário internacional favorável. Aproveitar ou não essa oportunidade depende do seu objetivo: viagem no curto prazo ou proteção patrimonial no longo prazo. Diante de um cenário de possíveis oscilações, diversificar e comprar de forma gradual pode ser a melhor estratégia.