Césio-137: Relembre o Acidente Radioativo em Goiânia

O que foi o acidente com o Césio-137 em Goiânia?

Em setembro de 1987, Goiânia foi palco de um dos maiores acidentes radioativos do mundo, quando dois catadores de lixo encontraram uma máquina de radioterapia abandonada em uma clínica desativada. Ao desmontarem o equipamento, eles liberaram 19 gramas de Césio-137, uma substância altamente radioativa, desencadeando uma série de eventos que resultaram em contaminação em massa e mortes.

Imagem da notícia - BBC

Fonte: BBC

Como a contaminação se espalhou?

Os catadores venderam a cápsula contendo o Césio-137 para um ferro-velho. O proprietário, Devair Ferreira, notou um brilho azul emanando da substância e a exibiu para familiares e amigos. Fragmentos do material foram extraídos e distribuídos, inclusive para crianças, que chegaram a utilizá-lo como brilho de carnaval. A exposição direta causou os primeiros sintomas de intoxicação, como vômitos, diarreia e febre.

"María Gabriela pôs o cilindro em um saco plástico e o levou, de ônibus, para um escritório de saúde do governo local, onde ninguém sabia o que era, mas o guardaram", relatou Sueli de Moraes, vizinha contaminada.

A resposta das autoridades e o controle da crise

A esposa do dono do ferro-velho, María Gabriela Ferreira, foi a primeira a suspeitar da relação entre a cápsula e os sintomas. Ela levou o material para um posto de saúde, o que alertou as autoridades. O físico Walter Mendes Ferreira, ao examinar o material, confirmou a alta radiação e iniciou-se um esforço para conter a contaminação.

Milhares de pessoas foram examinadas, e 249 apresentaram níveis significativos de material radioativo no corpo. Os contaminados foram isolados e tratados, enquanto o ferro-velho e diversas casas foram demolidas para evitar novas contaminações. Mais de 6 mil toneladas de resíduos foram recolhidas e enterradas em um centro de armazenamento em Abadia de Goiás.

Quais foram as vítimas fatais e as consequências?

A primeira vítima fatal foi Leide das Neves Ferreira, de apenas seis anos, que brincou com o pó radioativo. Sua tia, María Gabriela Ferreira, também faleceu. Dois homens que trabalhavam no ferro-velho foram as outras vítimas. O desastre gerou pânico e desinformação, com muitos acreditando que toda a cidade estava contaminada.

Em 1996, cinco pessoas ligadas à clínica onde a máquina foi abandonada foram condenadas por homicídio, com penas posteriormente reduzidas a serviços comunitários. O governo concedeu pensões vitalícias às vítimas e seus familiares.

Onde estão os resíduos hoje?

Os resíduos do Césio-137 estão armazenados no Parque Telma Ortegal, em Abadia de Goiás. O lixo radioativo está depositado em contêineres concretados e enterrados, com monitoramento ambiental constante. O local se transformou em uma reserva ambiental, utilizada para educar estudantes sobre os perigos da radiação.

Monitoramento Ambiental

  • Análises do solo a cada três meses
  • Verificação da qualidade das águas
  • Análise da vegetação e dos sedimentos

Qual o legado do acidente com o Césio-137?

O acidente com o Césio-137 em Goiânia expôs a fragilidade dos controles de materiais radioativos no Brasil e a falta de preparo para lidar com emergências nucleares. O evento serviu de aprendizado para a criação de protocolos de segurança mais rigorosos e para a conscientização sobre os riscos da radiação. Ainda hoje, a história do Césio-137 é lembrada como um alerta sobre a importância da segurança nuclear e da responsabilidade no manuseio de materiais perigosos. O caso é tema da série 'Emergência Radioativa' na Netflix, trazendo à tona as memórias e os impactos da tragédia.

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