Americanas (AMER3): Fim da RJ pode destravar venda do Natural da Terra

A Americanas (AMER3) pode finalmente destravar a venda do Hortifruti Natural da Terra com o pedido de encerramento da recuperação judicial (RJ). O desinvestimento na rede já estava previsto no plano de RJ como forma de levantar recursos, mas não houve acordo sobre o preço. A rede de hortifrutis foi adquirida em 2021 por R$ 2,1 bilhões.

Entenda o Contexto da Venda

O desinvestimento no Hortifruti Natural da Terra, rede premium com 60 unidades focada em produtos frescos e naturais, era uma das opções para levantar recursos para a Americanas durante o processo de recuperação judicial. Segundo o Broadcast, o fim da RJ pode facilitar a concretização da venda. A Americanas pediu o encerramento da recuperação judicial logo após anunciar a venda da UniCo, detentora das marcas Puket e Imaginarium, por R$ 153 milhões.

A Disputa pelo Preço

Apesar do interesse de diversos grupos, como Oba, Advent, Zona Sul, Pátria e a chilena Cencosud, a venda do Hortifruti Natural da Terra ainda não foi fechada. A principal preocupação da Americanas é vender o negócio por um valor inferior ao considerado adequado. Será que a varejista conseguirá um preço justo pela rede?

Americanas Menor e Focada no Físico

Após três anos desde a descoberta de uma das maiores fraudes contábeis da história corporativa brasileira, a Americanas emerge da recuperação judicial menor, com menos lojas e receita encolhida. A companhia busca se reerguer com foco nas lojas físicas e na recuperação das vendas online com parceiros estratégicos. Em 2025, apenas 5% das vendas vieram do canal online, contrastando com 54% em 2022.

Cautela do Mercado

A disparada das ações da Americanas (AMER3) após o pedido de fim da RJ e a divulgação de resultados com sinais de melhora gerou otimismo no mercado. No entanto, analistas pedem cautela, apontando que o movimento é uma combinação de alívio, redução de risco jurídico e fluxo especulativo, e não uma mudança definitiva nos fundamentos.

A visão dos especialistas

Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, destaca o peso simbólico do pedido de saída da recuperação judicial, mas alerta que ele não resolve os problemas estruturais da empresa.

“O encerramento da RJ é um marco importante, sem dúvida nenhuma, mas não significa que a empresa já tenha resolvido seus problemas estruturais. É um avanço no processo de reestruturação, não o fim dele”
. Segundo ele, o mercado distingue bem entre evento jurídico e capacidade operacional.

Resultados e Próximos Passos

O quarto trimestre de 2025 apresentou um prejuízo reduzido para cerca de R$ 44 milhões, ante R$ 586 milhões no ano anterior. O Ebitda ajustado ficou em R$ 276 milhões, um avanço de 1,9%. Além disso, a venda da Uni.Co por aproximadamente R$ 152,9 milhões reforça o caixa da Americanas. Max Mustrangi, CEO da Excellance, ressalta que o desafio mais complexo ainda está por vir: a capacidade da empresa de gerar caixa de forma consistente. O mercado aguarda os próximos balanços para avaliar o potencial de lucro da Americanas.

O Futuro da Americanas

A Americanas (AMER3) enfrenta um longo caminho para se reerguer e reconquistar a confiança de fornecedores e consumidores. O fim da recuperação judicial e a possível venda do Hortifruti Natural da Terra representam passos importantes nesse processo, mas a empresa precisa demonstrar sua capacidade de gerar resultados positivos de forma consistente para garantir sua sustentabilidade a longo prazo. Analistas e investidores seguem acompanhando de perto os desdobramentos e os próximos passos da varejista no mercado brasileiro. É mais um ponto de inflexão do que um ponto de chegada. A tese ainda depende da execução — e isso leva tempo”, aponta Boragini.

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