PF investiga Grupo Fictor por crimes financeiros após caso Banco Master

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito nesta quarta-feira (4) para investigar o Grupo Fictor, conglomerado que havia feito uma proposta de compra do Banco Master no final do ano anterior. A investigação visa apurar possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro e operação de instituição financeira sem autorização.

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Fonte: CNN Brasil

Quais são os crimes investigados?

De acordo com as investigações, o Grupo Fictor é suspeito de:

  • Gestão fraudulenta: Manejo irregular dos negócios da empresa.
  • Apropriação indébita financeira: Desvio de recursos financeiros para fins não autorizados.
  • Emissão de títulos sem lastro: Criação de títulos sem garantia ou suporte financeiro.
  • Operação de instituição financeira sem autorização: Atuação como instituição financeira sem a devida permissão legal.

Pedido de Recuperação Judicial e a Crise Reputacional

No domingo (1º), o Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, alegando buscar “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”. A empresa argumenta que a “crise reputacional” gerada pela tentativa de compra do Banco Master contribuiu para a deterioração de sua situação financeira. A Fictor afirma ter recebido cerca de R$ 3 bilhões em aportes até a véspera da liquidação do Banco Master, mas que, posteriormente, enfrentou pedidos de retirada de dinheiro que alcançaram aproximadamente 71% desse montante.

A Versão do Grupo Fictor

“Um consórcio liderado por um dos sócios do Grupo Fictor fez uma oferta para a aquisição e transferência de controle do Banco Master, mas, com a liquidação, a reputação do grupo foi afetada por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding.”

Além disso, o grupo alega que, como reflexo da crise de credibilidade, enfrentou corte e revisão de contratos comerciais, o que levou à necessidade de liquidação de ativos considerados “estratégicos” para a recomposição de seu caixa.

O que diz o Banco Central?

O anúncio da negociação com o Fictor foi classificado pelo Banco Central como uma “cortina de fumaça” para desviar o foco sobre a crise do Master. O BC questionou a capacidade do Grupo Fictor de comprar o banco, além da falta de divulgação dos nomes dos investidores árabes que supostamente participariam da aquisição. A suspeita era de que a negociação teria sido criada de última hora para postergar as ações da PF e do BC contra o Master. Afinal, qual era a real intenção por trás da proposta de compra?

O Fundo Árabe Envolvido

Segundo informações, o fundo árabe que estaria por trás da tentativa de compra do Banco Master pela Fictor era o Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita. Em novembro do ano passado, a Fictor negociava com o PIF o aporte de capital ou a quitação de parte das dívidas do grupo. Contudo, o negócio não se concretizou devido à liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

Próximos Passos

A abertura do inquérito pela Polícia Federal representa um novo capítulo na investigação das atividades do Grupo Fictor. As autoridades buscarão esclarecer as suspeitas de crimes financeiros e determinar se houve irregularidades na tentativa de compra do Banco Master. O caso segue em investigação, com possíveis desdobramentos nos próximos meses.

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