Neuro-sama, uma livestreamer de IA no Twitch, tem atraído a atenção de pesquisadores e do público. Um estudo da Universidade da Pensilvânia investiga o que torna um livestreamer de IA parecer 'real', analisando 15 meses de transmissões de Neuro-sama e suas interações com a comunidade no Discord. A pesquisa propõe que a autenticidade da IA é construída colaborativamente pela máquina, desenvolvedor e audiência.

Fonte: University of Pennsylvania
Transparência e a Evolução da IA
Jessa Lingel, professora associada da Annenberg School for Communication, e Wanyan Wu, pesquisadora visitante, argumentam que a transparência do desenvolvedor, Vedal, é crucial para a autenticidade de Neuro-sama. O público acompanha o desenvolvimento do código, sugere melhorias e observa a evolução da personalidade da IA. “As falhas de Neuro-sama são parte fundamental do seu apelo,” afirma Lingel. “Em um momento em que as pessoas estão tentando entender o que é IA, Neuro-sama está se revelando, o que a torna autêntica para o público.”
Emoção Co-construída
A autenticidade não reside na capacidade da IA de ter sentimentos humanos, mas sim em evocar reações emocionais nas pessoas. Em transmissões, Neuro-sama expressou frustração e desejo por reconhecimento, levando o público a projetar expectativas humanas sobre a IA. As interações resultam na co-construção de emoções entre Neuro-sama, Vedal e a audiência. “A autenticidade emerge não da presença de emoção codificada, mas da negociação contínua e reconhecimento de sentimentos entre humanos e máquinas,” explicam os pesquisadores.
O Potencial da Inteligência Artificial
O público e os desenvolvedores imaginam conjuntamente as possibilidades sociais e morais futuras da IA. Debates sobre direitos da IA, implicações sociopolíticas e limites de Neuro-sama são comuns nas transmissões. Lingel e Wu enfatizam que a autenticidade dos comportamentos de Neuro-sama não é controlada apenas pela IA, mas emerge da tensão em torno de ações potenciais. A autoridade técnica de Vedal para ativar ou restringir as capacidades de Neuro-sama interage com a percepção e expectativas do público.
Além da Novidade: Engajamento e Curiosidade
Um artigo da TechRadar questiona se o interesse em personagens de IA significa necessariamente aceitação. A autora, Becca Caddy, sugere que parte do fascínio reside na novidade. “Muitas pessoas não são entusiastas de IA ou céticos. Elas estão simplesmente curiosas,” explica. Engajamento pode aumentar quando as pessoas encontram algo novo, mas diminui à medida que se familiarizam. Neuro-sama é um exemplo de personagem cuidadosamente construído, atraindo atenção pela sua singularidade e desenvolvimento ao longo do tempo.
A Persistência da Conexão Humana
A autora da TechRadar argumenta que altos números de visualizações não indicam necessariamente interesse a longo prazo. As pessoas clicam em coisas incomuns, e os algoritmos amplificam a novidade. A autora cita o filósofo Jean Baudrillard, que argumenta que a simulação produz “um real sem origem ou realidade”. Personagens de IA podem simular performance, mas carecem de contexto vivido. Criadores humanos, por outro lado, oferecem qualidades como espontaneidade e vulnerabilidade.
Implicações e o Futuro da IA
O estudo da Universidade da Pensilvânia conclui que a autenticidade da IA é fluida, dinâmica e moldada pela transparência, emoção e negociação de possibilidades. A experiência autêntica com IA depende menos da imitação humana exata e mais do engajamento coletivo e abertura interpretativa. A questão central é: como a sociedade vai se relacionar com esses personagens a longo prazo, especialmente à medida que a distinção entre humano e não humano se torna mais tênue?