As ações da Eneva (ENEV3) sofreram uma forte queda na sessão desta terça-feira (10), com um declínio de 17,05%, cotadas a R$ 18,20 às 11h09 (horário de Brasília). A mínima do dia atingiu R$ 17,70, representando uma baixa de 19,3%. O movimento acompanha a apresentação, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos preços-teto para os leilões de reserva de capacidade, impactando as expectativas do mercado.

Fonte: InfoMoney
Preços-Teto da Aneel Considerados 'Muito Negativos'
Analistas do UBS BB avaliaram os preços-teto apresentados na reunião da diretoria da Aneel como significativamente inferiores às expectativas. Os preços estipulados são de R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos empreendimentos termelétricos e R$ 128/MWh para usinas já existentes. Essa precificação está consideravelmente abaixo da estimativa anterior do banco, que era de R$ 275/MWh, e do consenso de mercado, situado entre R$ 220/MWh e R$ 300/MWh.
Se confirmados os números, é algo “muito negativo” para a Eneva.
Em relatório divulgado a clientes, o UBS BB expressou preocupação com o impacto da decisão da Aneel, classificando-a como “muito negativa” para a Eneva, caso os números se confirmem.
Impacto no Preço-Alvo da Eneva
O Citi também se manifestou, alertando para um potencial de revisão baixista de 20% no preço-alvo da Eneva, fixando-o em R$ 20. O banco expressou dúvidas sobre a capacidade do governo de recontratar nova capacidade com os preços atualmente propostos.
Leilão de Reserva de Capacidade e Perspectivas Futuras
A aprovação do edital dos principais leilões do setor elétrico, agendada para votação na terça-feira pela agência reguladora, é um ponto crucial. Os leilões, com data marcada para março, são de grande interesse para a Eneva, que visa recontratar alguns de seus projetos termelétricos. O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), focado em usinas termelétricas e hidrelétricas, é visto como um reforço à segurança do fornecimento de energia no país e era considerado um catalisador importante para as ações da companhia.
Otimismo Anterior do UBS BB
Anteriormente, o UBS BB havia demonstrado otimismo em relação à Eneva (ENEV3), elevando a recomendação do papel de neutro para compra. A mudança refletia uma visão mais positiva em relação ao Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de março. O banco destacou que a Eneva é um dos poucos players capazes de converter preços mais altos de capacidade em megawatts executáveis, citando suas vantagens de custo de transporte de gás devido ao seu modelo integrado. O UBS BB também elevou o preço-alvo da ação de R$ 16 para R$ 27, representando uma potencial alta de 22%.
Contexto e Próximos Passos
A decisão da Aneel, ao propor preços-teto abaixo das expectativas do mercado, gerou incertezas sobre a viabilidade de novos projetos termelétricos e a capacidade do governo de garantir o fornecimento de energia a preços competitivos. A reação do mercado, com a queda acentuada das ações da Eneva, reflete a preocupação dos investidores com o futuro da companhia e do setor elétrico brasileiro. Resta aguardar os próximos desdobramentos e a decisão final da Aneel sobre o edital dos leilões para avaliar o impacto real nas empresas do setor e no mercado de energia.