Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como um dos maiores bicheiros e produtor de cigarros falsificados do Rio de Janeiro, foi preso em Cabo Frio nesta quinta-feira (26). A prisão, resultado de uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), põe fim a anos de buscas e representa um golpe contra o crime organizado no estado.
A Operação Libertatis e a Prisão
A prisão de Adilsinho ocorreu no âmbito da Operação Libertatis, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2023 e que teve sua segunda fase em março de 2025. O objetivo da operação é reprimir crimes como tráfico de pessoas, redução a condição análoga à de escravo, fraude no comércio, sonegação fiscal e delitos contra as relações de consumo. Um monitoramento com drones foi crucial para confirmar a localização do contraventor em Cabo Frio.
Acusações e Mandados de Prisão
Contra Adilsinho pesavam pelo menos quatro mandados de prisão em aberto. Na Justiça Federal, ele é apontado como chefe da máfia dos cigarros. Na Justiça do RJ, responde como mandante de diversos assassinatos, incluindo o de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, e os de Fábio Alamar Leite e Fabrício Alves Martins de Oliveira. A polícia investiga o possível envolvimento de Adilsinho em cerca de 20 crimes de um grupo de extermínio, incluindo homicídios e tentativas de assassinato. O PM Diego D’arribada Rebello de Lima, que fazia a segurança de Adilsinho, também foi preso.
A Máfia do Cigarro e o Impacto no Rio de Janeiro
Investigações revelaram que a quadrilha de Adilsinho controlava ao menos 45 dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro. Nessa região, apenas os cigarros produzidos pela quadrilha eram autorizados a serem vendidos, sob pena de morte. De 2018 a 2023, a sonegação fiscal do mercado de cigarros falsificados no Brasil alcançou a cifra de R$ 10 bilhões, sendo mais de R$ 2 bilhões somente no Rio de Janeiro. A máfia falsificava cigarros em fábricas locais, inicialmente com mão de obra paraguaia, e obrigava comerciantes a venderem apenas o produto falsificado.
Histórico Criminal e Envolvimento com o Jogo do Bicho
Adilsinho tem um longo histórico de envolvimento com o crime. Em 2009, foi alvo da Operação Furacão, que investigou a cúpula do jogo do bicho e seu envolvimento com máquinas de caça-níquel. Em 2011, a Operação Dedo de Deus encontrou R$ 4,6 milhões escondidos em sua casa. Ele também é apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio, controlando áreas importantes da capital.
Operação Libertatis: Detalhes da Investigação
As investigações da Operação Libertatis revelaram a existência de fábricas clandestinas de cigarros falsificados, onde trabalhadores paraguaios eram submetidos a condições análogas à escravidão. A organização criminosa atuava de forma estruturada, com divisão clara de funções, desde a produção e fornecimento de insumos até a logística e segurança. Agentes públicos, incluindo policiais militares e federais, também foram identificados como participantes do esquema, protegendo a operação criminosa e facilitando o transporte dos produtos ilegais.
Qual o futuro do combate ao crime organizado no Rio?
A prisão de Adilsinho representa um avanço significativo no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. No entanto, a complexidade e o alcance das atividades criminosas exigem um esforço contínuo e integrado das forças de segurança para desmantelar as estruturas e redes de apoio da máfia do cigarro e do jogo do bicho. A operação Libertatis continua em andamento, e novas fases podem ser deflagradas para responsabilizar todos os envolvidos e apreender os ativos ilícitos da organização.
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