PIB do Brasil Desacelera: Entenda o Impacto na Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou um crescimento de apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o trimestre anterior, conforme dados divulgados pelo IBGE. Esse resultado aponta para uma desaceleração da economia brasileira, que, embora possa gerar preocupação, é vista por alguns economistas como um ajuste necessário para evitar problemas maiores a longo prazo. Mas, o que motivou essa freada e quais são as perspectivas para o futuro?

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Fonte: BBC

Desaceleração e Perspectivas Econômicas

O crescimento de 1,8% em relação ao mesmo trimestre de 2024 foi impulsionado principalmente pela agropecuária (10,1%), indústria (1,7%) e serviços (1,3%). No acumulado de 2025, o PIB cresceu 2,4%. Apesar do crescimento global, o ritmo mais lento no último trimestre sinaliza que a maior parte da expansão ocorreu no primeiro semestre do ano. Essa desaceleração é ainda mais notável quando comparada ao crescimento de outros países em desenvolvimento, como China (4,8%) e Índia (8,2%).

"Daqui para frente é muito melhor a gente crescer consistentemente a 2% ou 2,5% ao ano de uma forma sustentável, mas com juro baixo", afirma Mansueto Almeida, economista-chefe do banco BTG Pactual.

O Pleno Emprego e a Inflação

A taxa de desemprego no Brasil atingiu um patamar considerado de “pleno emprego” (5,4%), o que significa que quase todos que desejam trabalhar estão empregados. Em momentos como este, um crescimento econômico acelerado pode ser prejudicial. A alta demanda por mão de obra eleva os salários, aumentando os custos e os preços, gerando inflação. Esse aumento generalizado de preços pode anular os ganhos da população, conforme explica Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.

O Papel do Banco Central e do Governo Federal

Para controlar a economia, o Banco Central utiliza a taxa de juros, enquanto o governo federal usa o orçamento e os gastos públicos. Desde 2024, o Banco Central tem elevado os juros para conter o crescimento econômico e manter a inflação abaixo de 4,5%. A desaceleração do PIB indica que essa política está surtindo efeito.

A Influência da Política Fiscal

Enquanto o Banco Central tenta desacelerar a economia, o governo federal tem adotado uma política fiscal expansionista, aumentando os gastos públicos. Essa divergência é comparada a um carro onde o governo acelera e o Banco Central freia simultaneamente. Medidas como a PEC da Transição e o aumento do salário mínimo impulsionaram o consumo e reduziram a pobreza, mas também geram preocupações inflacionárias. Dados do IBGE mostram que a população em situação de pobreza atingiu o menor patamar em 12 anos, com 8,6 milhões de brasileiros saindo dessa condição entre 2023 e 2024.

O “Pouso Suave” da Economia

Economistas acreditam que o Brasil está caminhando para um “pouso suave”, com uma desaceleração gradual que permitirá a queda dos juros. Essa redução é crucial para estimular investimentos e aliviar a dívida pública. No entanto, um crescimento acelerado do PIB em futuras divulgações pode levar o Banco Central a adiar a queda dos juros. Em 2026, espera-se um impulso fiscal adicional com a isenção de Imposto de Renda e gastos típicos de anos eleitorais. Para 2027, a expectativa é que o governo precise discutir novos ajustes fiscais.

Mercado Financeiro e Dólar

O mercado financeiro também está atento aos dados do PIB. O dólar iniciou a sessão com os investidores de olho no desempenho da economia brasileira. Nos Estados Unidos, os números do mercado de trabalho também estão no radar, influenciando as expectativas sobre a política de juros do Federal Reserve (Fed). Dados mais fracos do mercado de trabalho americano podem levar o Fed a reduzir os juros, o que já provocou ajustes no dólar. No entanto, a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, sobre o impeachment de ministros da corte adicionou tensão ao cenário político e econômico.

Considerações Finais

Apesar dos desafios, há otimismo com a situação atual do mercado de trabalho e a possibilidade de corrigir o rumo sem crises econômicas severas. A chave para um futuro sustentável está em desacelerar o crescimento dos gastos, controlar a inflação e manter um cenário de crescimento com juros baixos. Contudo, Mansueto Almeida, do BTG Pactual, alerta: "Se não corrigirmos o rumo fiscal, podemos ter uma crise em breve."

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