Wanderlei Barbosa (Republicanos) reassume o cargo de governador do Tocantins nesta sexta-feira (5), após decisão liminar do ministro Nunes Marques, do STF. Ele estava afastado desde setembro de 2025 por suspeita de desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. Mas, afinal, quais foram os argumentos que permitiram o retorno do governador?
Fonte: G1
Decisão do STF e seus Fundamentos
O ministro Nunes Marques justificou a decisão alegando que o afastamento de Wanderlei Barbosa causava instabilidade política e jurídica, especialmente às vésperas de ano eleitoral. Ele também ponderou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado contrária ao afastamento durante o curso do processo. Segundo Marques, os indícios apurados pela Polícia Federal não demonstram risco concreto à aplicação da lei penal ou à ordem pública.
"(...) defiro medida liminar, para suspender, até o julgamento deste writ, a medida cautelar de afastamento do cargo de Governador de Estado determinada pelo Superior Tribunal de Justiça e, em consequência, a medida cautelar de proibição de acesso ou frequência aos edifícios oficiais", afirmou o ministro Nunes Marques.
A defesa de Wanderlei Barbosa recebeu a decisão com serenidade, conforme nota divulgada, afirmando que a medida viabiliza seu retorno ao cargo para o qual foi legitimamente eleito. A liminar concedida pelo ministro do STF revoga o afastamento determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelo prazo de 180 dias, e ainda deverá ser referendada pela segunda turma do STF.
Entenda o Afastamento
Wanderlei Barbosa e a primeira-dama, Karynne Sotero, foram afastados de seus cargos em 3 de setembro de 2025, por decisão do ministro Mauro Campbell, do STJ. Eles são suspeitos de desviar recursos públicos em contratos para a compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19, em 2020 e 2021. Na época, Wanderlei era responsável pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
As investigações da Polícia Federal apontam que Barbosa teria mantido um esquema de desvios através de contratações ilícitas, com a intermediação de Karynne Sotero. Os crimes investigados incluem frustração ao caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de capitais e formação de organização criminosa.
Repercussões e Próximos Passos
Durante o período de afastamento de Wanderlei Barbosa, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assumiu o cargo e exonerou todos os secretários do primeiro escalão. Ele também suspendeu um contrato de táxi aéreo utilizado pelo governador afastado. Agora, com o retorno de Barbosa, espera-se que haja uma reestruturação da administração estadual.
Vale ressaltar que, mesmo durante o afastamento, Wanderlei Barbosa foi alvo de uma nova operação da Polícia Federal em novembro de 2025, suspeito de tentar atrapalhar as investigações da Operação Fames-19. A decisão do STF permite que Wanderlei Barbosa retome suas funções, mas o caso ainda não está encerrado e as investigações continuam.
O Que Esperar?
Com o retorno de Wanderlei Barbosa ao governo do Tocantins, a expectativa é de que ele retome as rédeas da administração estadual e busque dar continuidade aos projetos em andamento. No entanto, a sombra das investigações ainda paira sobre o governador, e o desenrolar dos fatos dependerá do andamento do processo no STF e da análise dos elementos já coletados pela Polícia Federal. Qual será o impacto dessa reviravolta na política do Tocantins?
O caso segue em aberto, e a sociedade aguarda o desfecho das investigações para que a verdade seja estabelecida e os responsáveis, se houver, sejam devidamente responsabilizados. Afinal, a transparência e a integridade na gestão pública são pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. As atenções se voltam agora para os próximos capítulos dessa história.