O dólar à vista encerrou as negociações da última sexta-feira, 28 de novembro de 2025, em queda frente ao real, cotado a R$ 5,3351, refletindo um movimento global de desvalorização da moeda americana. A expectativa de um possível corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro influenciou o mercado, impulsionando o real entre as moedas com melhor desempenho no dia. No acumulado do mês, o dólar registrou uma desvalorização de 0,83%.
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Fonte: Valor Econômico
Desempenho do Dólar e Fatores Influenciadores
O real apresentou o quinto melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, impulsionado pela perspectiva de afrouxamento da política monetária nos Estados Unidos. A sessão foi marcada por volatilidade devido à formação da Ptax de fim de mês e menor liquidez, o que amplificou os movimentos do mercado. Apesar da queda, o dólar oscilou entre R$ 5,3241 e R$ 5,3576 durante o dia.
Análise de Especialistas
Marcos Weigt, diretor de tesouraria do Travelex Bank, ressaltou a importância de acompanhar o pagamento de lucros e dividendos neste fim de ano. Segundo ele, o mercado parece bem ajustado, mas uma eventual não decisão do Fed em cortar juros em dezembro pode levar a uma correção global do movimento do dólar.
"Nesses casos de pouca liquidez, qualquer operação maior mexe no mercado, e hoje foi dia de rolagem." - Marcos Weigt, diretor de tesouraria do Travelex Bank.
Cenário Econômico e Perspectivas Futuras
O Goldman Sachs aponta para um possível enfraquecimento da economia americana, especialmente no mercado de trabalho, o que abriria caminho para um dólar mais fraco. O banco ING também indica uma sobrevalorização do dólar em relação à maioria das moedas do G10. O real acompanhou o bom desempenho de pares emergentes, em meio à expectativa crescente de corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro e ao enfraquecimento do índice DXY. A melhora do sentimento global e a busca por ativos de maior risco favoreceram moedas de países como Brasil, Colômbia e China, enquanto o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, com o Ibovespa batendo recorde, reforçou o suporte ao real. Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o movimento combina correção técnica e o impacto do cenário externo.
Impacto da Ptax e Liquidez Reduzida
A formação da Ptax, taxa de câmbio utilizada como referência pelo Banco Central, exerceu influência significativa na volatilidade do mercado. A menor liquidez, influenciada pelo feriado nos Estados Unidos, também contribuiu para oscilações mais acentuadas. Fernando Bergallo, CEO da FB Capital, destacou que o ajuste do feriado, somado à formação da Ptax, causou distorção no mercado.
Ibovespa em Alta e Fluxo Estrangeiro
O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores brasileira, operou em níveis recordes, atraindo fluxo estrangeiro e aumentando a oferta de dólares, o que contribuiu para a queda da moeda americana. Este cenário positivo no mercado de ações também influenciou o desempenho do real.
Dados Econômicos e Agenda Doméstica
Na agenda econômica doméstica, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego atingiu 5,4% no trimestre encerrado em outubro. O Banco Central informou que a dívida bruta brasileira subiu para 78,6% do PIB em outubro. O mercado também acompanha a tramitação de incentivos para dividendos, a pauta fiscal em discussão no governo e no Congresso e a decisão da Moodys de manter o rating do Brasil estável.
Analistas apontam que a combinação de fluxo, juros elevados e um quadro externo mais benigno pode abrir espaço para o dólar buscar níveis ainda mais baixos, potencialmente atingindo R$ 5,30 ou até R$ 5,25 em dezembro. No entanto, a discussão fiscal e o ambiente político interno podem limitar uma apreciação mais intensa do real.