Vilãs icônicas da TV se reúnem em bate-papo sobre personagens marcantes

Atrizes debatem construção de antagonistas e compartilham bastidores

Isabel Teixeira, Lilia Cabral e Susana Vieira, nomes consagrados da teledramaturgia brasileira, participaram de uma conversa emocionante no programa “Conversa com Bial” nesta terça-feira (28). O encontro reuniu três gerações de intérpretes de grandes vilãs da televisão para um debate aprofundado sobre a arte de compor personagens que, mesmo antagônicas, cativam o público.

O programa, exibido logo após “Pablo & Luisão”, abordou a linha tênue entre a composição de uma vilã e a caricatura, explorando como essas personagens impactam o imaginário popular. As atrizes compartilharam memórias de bastidores e revelaram detalhes sobre a construção de figuras icônicas que marcaram suas carreiras e a história da teledramaturgia brasileira.

A Construção da Antagonista: Verdade e Subtexto

Isabel Teixeira, atualmente no ar como a complexa Pilar de “Quem Ama Cuida”, destacou a importância do subtexto na atuação. “A atriz vive de subtexto. A personagem fala uma coisa e pensa outra. E pensamento aparece. Aprendi com o diretor Walter Carvalho que a câmera filma pensamento”, explicou a atriz, ressaltando a profundidade psicológica necessária para dar vida a uma antagonista.

Lilia Cabral, que interpretou personagens memoráveis como Marta em “Páginas da Vida” e Valentina em “O Sétimo Guardião”, analisou a evolução da linguagem das novelas. “Houve uma evolução da linguagem. Isso não significa que os vilões deixaram de existir, mas que ficou cada vez mais importante buscar uma verdade interna”, comentou Cabral, enfatizando a sofisticação crescente na escrita e interpretação desses papéis.

“A vilania dela era o texto. Ela sentava à mesa, pedia duas torradas e dizia coisas terríveis. Depois descobri que o Manoel Carlos colocava nela muitas das críticas que fazia à sociedade”

Susana Vieira relembrou sua icônica Branca Letícia de “Por Amor”, destacando o papel fundamental do texto na construção da personagem. “A vilania dela era o texto. Ela sentava à mesa, pedia duas torradas e dizia coisas terríveis. Depois descobri que o Manoel Carlos colocava nela muitas das críticas que fazia à sociedade”, afirmou Vieira, com bom humor.

Vilania em Perspectiva: Gesto vs. Declaração

A discussão se aprofundou ao confrontar diferentes formas de vilania. Ao comparar Branca Letícia com Helena (Regina Duarte), que trocou bebês na trama de “Por Amor”, Lilia Cabral provocou a reflexão: “Quem é mais vilã? A pessoa que fala barbaridades ou alguém que toma uma decisão como trocar bebês, por exemplo? Às vezes, a vilania está em um gesto, numa escolha aparentemente silenciosa”. Essa perspectiva amplia o debate para além das falas explícitas, considerando a complexidade das ações.

Isabel Teixeira compartilhou sua experiência atual, revelando que lida com bom humor com as reações do público à sua personagem Pilar. “O que eu estou curtindo mesmo é ser xingada. Quando alguém me encontra e reclama da Pilar, eu digo: ‘Pode xingar!’. É sinal de que a personagem chegou nas pessoas”, disse, evidenciando o forte impacto que a vilã exerce sobre a audiência.

Legado e Memória Afetiva das Novelas

O programa também celebrou a tradição da teledramaturgia brasileira, com Isabel Teixeira expressando a profunda conexão afetiva com as novelas. “Estamos há mais de 70 anos fazendo novelas. Eu fui criada por novelas. Quando ouvi a voz da Susana hoje, veio uma memória muito antiga. É uma voz da minha família. E não é só da minha família, é da família de milhões de brasileiros”, declarou. O encontro foi marcado por momentos de descontração, com as atrizes revivendo trejeitos, olhares e frases marcantes de suas personagens, em uma celebração às figuras que moldaram a cultura televisiva do país.

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