Terremoto no Peru: 6 mortos, 30 feridos e centenas de desalojados

Um terremoto de magnitude 5.1, seguido por um tremor secundário de 3.7, atingiu a região andina central do Peru na noite de sábado, 18 de julho de 2026, causando a morte de pelo menos seis pessoas, ferindo mais de 30 e deixando centenas de desalojados. O evento sísmico, cujo epicentro foi localizado próximo ao distrito de Chongos Bajo, na província de Junín, provocou a queda de estruturas e interrupção do fornecimento de energia, mobilizando equipes de emergência e autoridades governamentais em uma corrida contra o tempo para prestar socorro às vítimas.

Detalhes do Evento Sísmico e Impacto Imediato

O primeiro tremor, registrado às 21h24 do horário local de sábado (23h24 em Brasília), teve seu epicentro a aproximadamente dois quilômetros da cidade de Sicaya, em Huancayo, com uma profundidade de cerca de 24 quilômetros, conforme o Instituto Geofísico do Peru. A baixa profundidade do abalo sísmico é um fator crucial que amplifica a intensidade sentida na superfície, contribuindo para a severidade dos danos.

A área mais afetada foi Chongos Bajo, uma região predominantemente agrícola onde muitas residências são construídas com materiais como adobe e quincha, que são menos resistentes a tremores. Relatos de moradores descrevem casas completamente destruídas.

"O terremoto destruiu nossa casa. Há muitas casas de adobe aqui que desabaram"
, afirmou um residente de Chongos Bajo ao Canal N, destacando a vulnerabilidade das construções locais. Além das residências, infraestruturas históricas e religiosas sofreram abalos significativos, como o desabamento da cruz "Cani Cruz" e danos estruturais no antigo convento de Santiago de León, ambos na província de Chupaca. O Hospital Nacional Daniel Alcides Carrión, em Huancayo, também reportou danos em suas instalações, enquanto se esforçava para atender a afluência de feridos. Cerca de 48 casas foram completamente destruídas, e 300 pessoas foram diretamente afetadas e desalojadas, necessitando de abrigo e assistência emergencial. A interrupção do fornecimento de energia elétrica em diversos municípios da região agravou a situação, dificultando as operações de resgate e a comunicação.

Imagem da notícia - G1

Fonte: G1

Ações de Resgate e Resposta Governamental

As equipes de emergência, coordenadas pelo Instituto Nacional de Defesa Civil (INDECI) e pelo Centro Nacional de Operações de Emergência (COEN), foram rapidamente mobilizadas para as áreas mais críticas. O primeiro-ministro Luis Enrique Arroyo atualizou os dados de vítimas para seis mortos e 32 feridos, uma revisão dos números inicialmente reportados. O governo peruano agiu prontamente, com o presidente José María Balcázar afirmando à Rádio Nacional:

"O governo respondeu imediatamente com o envio de ajuda humanitária e a coordenação com as autoridades para atender as famílias afetadas e lhes oferecer assistência urgente."

A assistência humanitária incluiu a distribuição de barracas e cobertores para os desabrigados, que passaram a noite sob cobertores fora de suas casas danificadas. A presidente eleita, Keiko Fujimori, cuja posse está agendada para 28 de julho, também se manifestou nas redes sociais, expressando:

"Expresso minhas sinceras condolências aos familiares das pessoas que morreram e minha solidariedade com aqueles que foram afetados."
As operações de busca e salvamento continuam, com a principal preocupação sendo o número ainda desconhecido de desaparecidos. As avaliações de danos e necessidades (EDAN) estão em andamento para quantificar a extensão total do impacto e planejar a reconstrução das comunidades.

Contexto Geológico: O Anel de Fogo do Pacífico

O Peru está situado em uma das regiões de maior atividade sísmica do planeta: o Anel de Fogo do Pacífico. Esta vasta área, que se estende pela costa oeste das Américas e pela costa leste da Ásia, é responsável por aproximadamente 85% da atividade sísmica global. O país registra anualmente cerca de 400 terremotos com magnitude igual ou superior a 4.0, dos quais uma centena são perceptíveis pela população. A recorrência desses eventos torna o Peru particularmente vulnerável.

A história recente do país inclui eventos catastróficos, como o terremoto de magnitude 7.9 que, em 2007, atingiu a província de Pisco, na região de Ica, resultando em quase 600 mortes. Embora o tremor atual tenha sido de magnitude moderada (5.1), a sua profundidade rasa foi um fator determinante para a intensidade dos danos observados, especialmente em áreas com construções mais vulneráveis. A combinação de um epicentro próximo a áreas habitadas e a baixa resistência das edificações tradicionais exacerbou a tragédia. O incidente serve como um lembrete sombrio da constante ameaça sísmica que paira sobre as comunidades na região. Como as nações do Anel de Fogo podem se preparar melhor para reduzir o impacto humano e material desses eventos inevitáveis?

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