Sargento preso em BH: prisão preventiva decretada por morte de esposa capitã da PM

Militar é investigado por feminicídio após levar esposa morta a hospital

O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, teve a prisão preventiva decretada nesta quarta-feira (22) pela Justiça de Belo Horizonte. Ele é investigado pela morte de sua esposa, a capitã da PM Michele Leão Azevedo, de 41 anos. A decisão foi proferida em audiência de custódia pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves, que considerou a segregação cautelar necessária para a garantia da ordem pública. O caso tramita sob segredo de Justiça, com o objetivo de resguardar a intimidade e a vida privada dos envolvidos.

Imagem da notícia - CNN Brasil

Fonte: CNN Brasil

Dinâmica do crime e versão do sargento

Segundo o boletim de ocorrência, o sargento levou a capitã, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste de Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). A policial apresentava múltiplas lesões pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas de chicotadas e um corte profundo na cabeça, compatíveis com violência física. A equipe médica estimou que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital. Diante dos indícios, a Polícia Militar foi acionada.

Em depoimento, Eduardo Abner relatou que ele e a esposa participaram de uma confraternização na véspera, consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy, e mantiveram relações sexuais com práticas de dominação. Ele alega que Michele sofreu uma queda da escada no dia seguinte e recusou atendimento médico. Contudo, essa versão é contestada pela investigação, que aguarda laudos periciais para esclarecer a dinâmica dos fatos.

Investigação e provas apreendidas

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. Câmeras de segurança registraram o sargento carregando a capitã nos ombros até o carro antes de se dirigir ao hospital, o que contradiz a versão de queda acidental. Durante a investigação, foram apreendidos comprimidos semelhantes a ecstasy, um cabo de madeira quebrado, roupas de cama lavadas e os celulares do casal e do veículo. O sargento já possuía registros anteriores de violência doméstica contra uma ex-companheira em 2016, além de ter sido preso por embriaguez ao volante em 2023.

Contexto e desdobramentos

Familiares da capitã Michele Leão Azevedo descreveram o relacionamento como abusivo, marcado por ciúmes e controle psicológico. A Polícia Militar de Minas Gerais, por meio de sua comandante-geral, coronel Cleide Barcelos, classificou o caso como um episódio de violência doméstica e familiar. A defesa do sargento pediu que os laudos periciais sejam aguardados para o esclarecimento completo dos fatos, confiando no devido processo legal. A Justiça mantém a prisão preventiva do militar, enquanto as investigações prosseguem para determinar as circunstâncias exatas da morte da capitã.

Postagem Anterior Próxima Postagem