Justiça converte prisão em flagrante de sargento da PM suspeito de matar capitã em preventiva
A Justiça de Belo Horizonte converteu, nesta quarta-feira (22/07/2026), em prisão preventiva a prisão em flagrante do sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira. Ele é investigado pela morte da esposa, a capitã Michele Leão Azevedo. A decisão foi tomada durante audiência de custódia pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia de Belo Horizonte. O magistrado considerou a segregação cautelar como necessária para a garantia da ordem pública.
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Fonte: G1
Relembre o caso e o histórico do sargento
A capitã Michele Leão Azevedo foi levada pelo marido ao Hospital Odilon Behrens na noite de segunda-feira (20), mas já chegou sem vida. O boletim de ocorrência indicou múltiplas lesões pelo corpo, com a morte estimada entre quatro e seis horas antes da entrada na unidade hospitalar. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. Imagens de circuito interno do prédio onde o casal morava mostram o sargento carregando a capitã nos ombros até a garagem e, posteriormente, colocando-a no carro antes de ir para o hospital. Essas gravações são parte da investigação.
Em depoimento, o sargento Eduardo alegou que ele e a esposa participaram de uma confraternização, consumiram álcool e ecstasy, e em seguida mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Ele sustentou que Michele caiu da escada da residência e recusou atendimento médico. Horas depois, ela foi encontrada sem sinais vitais. A versão está sob investigação.
Durante a perícia, policiais apreenderam um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, roupas de cama lavadas que estavam na máquina de lavar e comprimidos semelhantes a ecstasy descartados pelo sargento no hospital. O material será submetido à análise pericial.
O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira já possui um histórico de denúncias. De acordo com informações obtidas pelo g1, duas ex-companheiras dele registraram boletins de ocorrência em 2016 relatando agressões físicas, ameaças e descumprimento de medida protetiva. Além disso, o militar foi preso por embriaguez ao volante em 2023 e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira. A CNN Brasil também apurou que ele chegou a ser expulso da PM em 2009 por omitir informação sobre apreensão de arma de fogo na adolescência ao ingressar na corporação, mas foi reintegrado após decisão judicial.
O processo tramita sob segredo de Justiça
Na terça-feira (21), a Justiça já havia determinado que o Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD) tramitasse sob segredo de Justiça. Essa medida visa resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada dos envolvidos, restringindo o acesso público às informações do processo. A defesa do sargento, representada pelo advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, pediu cautela na análise do caso, enfatizando a necessidade de aguardar a conclusão das investigações e dos laudos periciais para evitar julgamentos precipitados.