A advogada Karina Kufa, amplamente reconhecida por sua atuação no cenário jurídico e por ter defendido figuras políticas de grande relevância, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, perdeu a guarda provisória de seu filho menor de idade. A decisão liminar, emitida pela Justiça de São Paulo na última quarta-feira, 17 de julho de 2026, é um desdobramento direto de seu recente casamento com o empresário Thiago Brennand. A corte considerou a união da mãe com Brennand, que possui um histórico de condenações por crimes graves contra mulheres, incompatível com a proteção e o melhor interesse da criança. Em resposta, o pai do menino, Amilton Augusto da Silva Júnior, anunciou publicamente sua intenção de buscar a guarda definitiva, justificando a medida como essencial para proteger o filho diante da nova configuração familiar. O casamento de Kufa e Brennand, que se tornou um ponto focal da controvérsia, foi formalizado no início de julho em um cartório no interior de São Paulo.
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Fonte: O GLOBO
A Posição Judicial e a Mobilização Paterna
A liminar judicial que alterou a guarda provisória do menino, que antes vivia com a mãe sob regime de guarda compartilhada, para a residência do pai, reflete a prioridade do sistema legal em assegurar o melhor interesse do menor. O juiz Eduardo Palma Pellegrinelli, responsável pela decisão na 12ª Vara da Família e Sucessões de São Paulo, enfatizou em seus autos a natureza das acusações contra Thiago Brennand. Ele destacou que os crimes atribuídos ao empresário são "extremamente graves" e possuem "requintes de crueldade", mencionando, inclusive, atos contra o próprio filho de Brennand, além de terem sido amplamente noticiados pela imprensa.
Amilton Augusto da Silva Júnior, ex-marido de Kufa e pai da criança, utilizou as redes sociais para manifestar sua indignação e preocupação, ao lado de sua atual esposa, a apresentadora Val Marchiori:
"Me senti na obrigação de falar uma coisa: a minha ex-mulher decidiu se casar com um sujeito que está preso, condenado por vários crimes, entre eles o crime horrendo de estupro. Eu, enquanto pai, não poderia fingir que nada está acontecendo. Eu não poderia dormir tranquilo sabendo que meu filho está no meio dessa situação."
O pai reforçou que não hesitará em buscar todas as medidas legais disponíveis para proteger a criança, afirmando com convicção: "Vou tomar todas as medidas possíveis dentro da legalidade para protegê-lo. Eu não seria coerente nem comigo nem com ele se achasse que isso é algo normal. Isso não é algo normal. Uma criança não precisa passar por isso."
O Controverso Casamento e o Perfil de Thiago Brennand
A união de Karina Kufa e Thiago Antonio Brennand Tavares da Silva Fernandes Vieira foi celebrada discretamente no início de julho, em Potim, no interior paulista, mas rapidamente ganhou notoriedade devido ao histórico criminal do noivo. Thiago Brennand está detido desde 2023, cumprindo sentenças por diversas condenações. Entre elas, destacam-se: estupro em pelo menos dois processos distintos e agressões a mulheres, sendo uma em uma academia de ginástica, caso que gerou grande repercussão. A amplitude e a gravidade dos delitos de Brennand foram um fator determinante para a análise judicial acerca do ambiente no qual a criança seria inserida.
Condenações e Acusações de Thiago Brennand:
- Estupro (duas condenações).
- Agressão física contra mulheres.
- Acusações de "requintes de crueldade".
- Alegações de violência contra o próprio filho, conforme citado pela Justiça.
A Defesa de Karina Kufa e Seu Caminho Profissional
Em declaração à imprensa, Karina Kufa expressou seu descontentamento com a decisão, classificando-a como "uma violência e um ataque misógino por uma escolha privada que fiz de casar e que não vai interferir na minha atuação como mãe". A advogada enfatizou que está mobilizada para reverter a liminar e reafirmou sua fé na inocência de Thiago Brennand, declarando estar "plenamente convicta" de que ele será absolvido das acusações. Essa postura levanta discussões sobre o papel da vida pessoal de profissionais do direito em suas carreiras e na percepção pública.
Karina Kufa, com 45 anos, é uma advogada com vasta experiência, especialmente em direito eleitoral e criminal. Sua projeção nacional se deu em 2018, quando integrou a equipe jurídica da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, continuando a atuar como uma de suas principais advogadas em processos eleitorais e partidários. Além disso, representou outras figuras políticas de relevo, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ela é fundadora do escritório Kufa Advocacia, presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral e da Comissão Especial de Compliance Eleitoral e Partidário do Conselho Federal da OAB, e também é professora e autora de livros na área.
O Futuro Legal e o Debate sobre o Melhor Interesse
A decisão de alterar a guarda tem natureza provisória e está sujeita a reavaliação. Após a manifestação de todas as partes envolvidas e do Ministério Público, o caso será novamente analisado, o que sugere novos capítulos no processo judicial. Este cenário complexo reitera a importância de que a Justiça brasileira avalie minuciosamente casos de guarda que envolvem figuras públicas e situações delicadas, onde o histórico de um dos genitores pode impactar diretamente a segurança e o desenvolvimento da criança.
O episódio de Karina Kufa e Thiago Brennand provoca uma reflexão profunda sobre os limites entre a vida privada e as responsabilidades públicas, especialmente quando há um menor envolvido. Em um contexto onde a imagem e o histórico judicial de um dos pais são tão proeminentes, como a Justiça pode garantir de forma eficaz o bem-estar da criança, sem interferir desproporcionalmente na autonomia dos indivíduos? Este é um desafio constante para o sistema jurídico e para a sociedade como um todo.