Flávio Bolsonaro oficializa candidatura presidencial em evento do PL em São Paulo
O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi oficialmente homologado como candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL) neste sábado (25 de julho de 2026), em convenção realizada em São Paulo. O evento contou com a presença de aliados políticos e a participação virtual de figuras importantes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
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Fonte: G1
Trajetória política e escolha como candidato
Flávio Bolsonaro, conhecido como "01", tem uma longa carreira política iniciada aos 21 anos como deputado estadual no Rio de Janeiro. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele foi formalmente escolhido como candidato à Presidência em dezembro de 2025, após visitar o pai na prisão. A decisão foi articulada pelo próprio senador, pelo ex-presidente e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Sua candidatura surge em um momento de reorganização do grupo político bolsonarista para a eleição de 2026.
"Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado", afirmou Flávio Bolsonaro em dezembro, apresentando-se como uma versão mais branda de seu pai.
Apoios e desafios da campanha
O evento de lançamento contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), ambos do Centrão, que expressaram apoio à candidatura. No entanto, a expansão da base de alianças tem se mostrado um desafio, com a federação União Progressista (PP e União Brasil) declarando neutralidade. A principal aposta para ampliar o apoio é um acordo com o partido Republicanos. A candidatura também enfrenta investigações da Polícia Federal relacionadas a repasses para o documentário "Dark Horse", que Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Pesquisas eleitorais indicam um empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.
Discursos e declarações no evento
Durante a convenção, o presidente argentino Javier Milei fez um discurso inflamado em espanhol, criticando o socialismo e o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem chamou de "lixo careca". Flávio Bolsonaro, por sua vez, prometeu que seu pai, Jair Bolsonaro, subiria a rampa do Planalto em janeiro de 2027. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enviou um vídeo justificando sua ausência, alegando estar cuidando do marido. Em seu discurso, Flávio mencionou "abusos por parte do Judiciário brasileiro", criticando o que chamou de silenciamento de parte da população.
O senador, que também é empresário, foi investigado por um esquema de "rachadinhas" e lavagem de dinheiro, mas as provas foram anuladas posteriormente. Ele comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília, parte financiada pelo Banco de Brasília (BRB), e afirma que o negócio foi legal. A esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, discursou acenando às mulheres, segmento onde o candidato enfrenta maior rejeição.
Perspectivas e desdobramentos
A candidatura de Flávio Bolsonaro se formaliza em um cenário político complexo, marcado por investigações, disputas familiares e a busca por alianças. A promessa de retorno de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2027, caso Flávio seja eleito, é um dos pilares da campanha. A estratégia de se apresentar como uma versão mais moderada do pai, aliada a um discurso crítico ao Judiciário e ao socialismo, visa consolidar seu eleitorado e atrair novos segmentos. A capacidade de ampliar a coalizão de partidos e superar os obstáculos legais e de imagem serão cruciais para o sucesso de sua candidatura nas próximas eleições.