O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta segunda-feira (27) que a economia brasileira se encontra em melhor situação que a argentina, classificando o presidente Javier Milei como "palhaço". A declaração surge em meio a uma crescente tensão diplomática entre Brasil e Argentina, após a participação de Milei em um evento político em São Paulo no último sábado (25).
Durante entrevista à "Rádio Jornal", de Pernambuco, Durigan destacou os indicadores econômicos positivos do Brasil, como a mínima taxa de desemprego e inflação, além de recordes na balança comercial e safra expressiva. Ele comparou esses resultados com o cenário argentino, apontando um risco-país e uma dívida pública significativamente mais altos na nação vizinha. "O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", afirmou o ministro.
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Fonte: G1
Crise diplomática sem precedentes
A visita de Javier Milei ao Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência culminou em um discurso onde o presidente argentino fez críticas contundentes ao presidente Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes, este último chamado de "lixo careca". O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio do Itamaraty, convocou o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para expressar a repulsa do governo brasileiro. A situação é considerada a maior crise diplomática entre os dois países em 50 anos, segundo a imprensa argentina.
Posicionamento oficial e repercussão
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, esclareceu que sua declaração sobre Milei foi feita de forma autônoma, mas que considerou necessário se manifestar diante das críticas direcionadas à pasta. "Não tem o menor cabimento um presidente de outro país vir aqui, sem comunicação oficial, xingar as autoridades, criticar a política econômica, fazendo dancinha. Não dava pra não responder", disse Durigan.
O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, encontra-se no Brasil sem previsão de retorno. Especialistas em relações internacionais e diplomatas argentinos apontam que a atitude de Milei prejudica a tradição diplomática da Argentina e pode ter motivações políticas internas, alinhadas a uma posição de Donald Trump sobre o processo eleitoral brasileiro. Apesar da gravidade, não se espera que a crise leve à retirada dos embaixadores, mas há preocupações sobre os desdobramentos nas relações econômicas.
Perspectivas econômicas e juros no Brasil
Durigan também afastou a possibilidade de recessão na economia brasileira em 2027, projetando um crescimento de 2% para o PIB naquele ano. Ele reconheceu os desafios impostos pelos juros altos, que afetam famílias e empresas, e ressaltou a importância de reduzir gastos obrigatórios, manter o arcabouço fiscal e modernizar o Estado para viabilizar a queda da taxa de juros no país. "Se fala em recessão porque, como o juro está alto, tende a desacelerar. Nossa projeção é de 2% [de alta do PIB em 2027], mas tem gente falando em 1% [de crescimento]. Não é recessão. Taxa de juros altos tem esse papel, desaquecer a economia. Economia vai desacelerar, mas falar em recessão é um exagero", concluiu.
Enquanto isso, relatórios como o do Banco Mundial indicam que a Argentina tem se destacado economicamente com um ajuste fiscal decisivo, embora enfrente riscos significativos no financiamento externo. O Brasil, por outro lado, enfrenta um cenário de perda de dinamismo, com condições financeiras restritivas e espaço fiscal limitado, conforme apontado pelo organismo internacional.