O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) protagonizaram um intenso bate-boca na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira (19/05/2026), em Brasília. O motivo da discussão foi a atuação do BC na venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) e a autonomia da instituição.
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Fonte: O GLOBO
A Faísca da Discussão
A controvérsia começou quando Renan Calheiros questionou uma suposta declaração de Galípolo favorável à venda do Banco Master ao BRB, antes do veto do Banco Central. Galípolo negou veementemente, afirmando que o BC não comenta sobre instituições privadas. “Não, não... O Banco Central jamais diria que a operação é correta, porque o Banco Central não comenta sobre instituição particular. Eu não posso fazer isso”, declarou o presidente do BC, conforme reportado pela CNN Brasil.
Réplica e Tréplica
Renan Calheiros afirmou possuir uma gravação da suposta declaração de Galípolo e se prontificou a apresentá-la, o que não ocorreu durante a sessão. A discussão escalonou quando Calheiros criticou a falta de reação pública de Galípolo em relação a um projeto que visava dar ao Congresso o poder de destituir o presidente do BC. Será que essa divergência expõe uma fragilidade na comunicação entre o Banco Central e o Senado?
"BC Não é Palanque"
Galípolo rebateu a crítica, afirmando que a reação do BC foi pedagógica ao rejeitar a operação entre BRB e Master no dia seguinte ao surgimento do projeto. Ele enfatizou que o BC não deve se transformar em um “palanque” e que sua função é tomar decisões corretas, independentemente de pressões externas. “O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque”, disse Galípolo, segundo o O GLOBO.
A Classificação do Banco Master
Em sua defesa, Galípolo classificou o Banco Master como uma instituição de "terceira divisão" no sistema financeiro brasileiro. Segundo ele, o banco não representava risco sistêmico, correspondendo a menos de 0,5% dos ativos do sistema financeiro nacional, conforme informações da Folha de S.Paulo. A relevância do caso reside, segundo ele, no uso dos recursos depositados no banco.
Afastamento de Servidores
Galípolo também comentou sobre o afastamento de dois servidores do BC envolvidos no caso Master, expressando o “efetivo luto” do corpo técnico da instituição com o ocorrido. Ele ressaltou que apenas a Justiça poderá determinar o que realmente aconteceu. As investigações apontam para suspeitas de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.
Autonomia Financeira do BC
Durante a audiência, Galípolo defendeu a aprovação da PEC que concede autonomia financeira ao BC, argumentando que a medida é crucial para a governança da instituição. Ele comparou a situação do BC brasileiro com a de outros países, como Nigéria, México, Inglaterra e Portugal, cujos bancos centrais possuem autonomia financeira.
Encontro com Lula e Vorcaro
Galípolo também abordou o encontro entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2024. Segundo ele, Vorcaro apresentou a Lula argumentos sobre métodos inovadores e perseguição pela concorrência. Galípolo, que também participou do encontro, considerou o argumento pouco convincente, dada a pequena representatividade do Banco Master no mercado.
Próximos Passos
A discussão acalorada entre Galípolo e Renan Calheiros expõe as tensões existentes em torno da atuação do Banco Central e da sua autonomia. O desfecho das investigações sobre o caso Master e a tramitação da PEC da autonomia financeira do BC serão importantes para determinar o futuro da instituição e a sua relação com o poder político.