A inclusão da facção venezuelana Tren de Aragua na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos, um movimento que se assemelha à possível designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como tal, serviu como um catalisador para a captura do ditador Nicolás Maduro. A ação, ocorrida no início deste ano, demonstra como a pressão internacional pode escalar a ponto de culminar em intervenções significativas. Mas, qual o impacto real dessa estratégia para o Brasil e outros países da América Latina?

Fonte: Folha de S.Paulo
Entenda a Classificação de Terrorismo pelos EUA
Para uma organização ser classificada como terrorista pelos EUA, ela deve atender a três critérios fundamentais, segundo o Departamento de Estado americano: ser uma entidade estrangeira, encaixar-se na definição de terrorismo conforme a legislação americana, e representar uma ameaça à segurança dos cidadãos americanos ou à segurança nacional dos EUA. A Lei Pública 105-277 define terrorismo como "uma violência premeditada e politicamente motivada perpetrada contra alvos não combatentes por grupos subnacionais ou agentes clandestinos". Historicamente, essa definição abrange grupos como Estado Islâmico, Boko Haram, Hamas e Al-Qaeda.
O Impacto nas Relações Internacionais e Econômicas
A inclusão de facções latino-americanas em listas de terrorismo tem se intensificado desde o retorno de Donald Trump ao poder em 2025. Essa mudança reflete uma política externa voltada para a região, contrastando com as abordagens das décadas anteriores. Contudo, ao contrário de grupos com objetivos políticos claros, essas organizações muitas vezes carecem de tal motivação, o que leva a um combate mais militarizado, conduzido por agências como a CIA, em vez da cooperação policial tradicional.
Consequências para Empresas e a Sociedade Civil
A designação de grupos como terroristas pode ter implicações significativas para as economias dos países afetados. Empresas que operam indiretamente com indivíduos ou estruturas ligadas a essas facções correm o risco de serem rotuladas como financiadoras do terrorismo. Isso pode levar a um clima de desconfiança e dificultar o desenvolvimento econômico. Essa situação torna-se ainda mais complexa quando essas organizações criminosas estão profundamente enraizadas na sociedade.
A Reação dos Países Latino-Americanos
A resposta à designação de facções como terroristas varia entre os países da América Latina. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, expressou que seu país não aceitará ações extraterritoriais baseadas nessa classificação. Essa postura reflete uma preocupação com a soberania nacional, ecoada pelo governo Lula no Brasil. Em contraste, países como El Salvador e Equador, liderados por presidentes de direita, já haviam adotado a retórica do narcoterrorismo antes mesmo das medidas dos EUA, resultando em diferentes níveis de cooperação e resistência.
Qual o Futuro da Cooperação e da Intervenção?
O caso da Venezuela demonstra uma abordagem militarizada no combate ao crime organizado, com ofensivas contra supostos barcos de drogas resultando em um alto número de mortos. Essa estratégia levanta questões sobre o respeito ao direito internacional e os limites da intervenção estrangeira. No entanto, a designação de organizações como terroristas amplia os poderes de investigação e operação dos EUA, uma ameaça explorada pelo governo Lula, crítico da medida.
Os Riscos da Designação de Facções como Terroristas
A decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas traz consigo uma série de riscos significativos para o Brasil. Especialistas alertam para a possibilidade de sanções econômicas, restrições na troca de informações e até mesmo a realização de operações secretas da CIA em território nacional. Para o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, o país precisa agora 'minorar os danos' e buscar formas de cooperação para lidar com essa nova realidade.
Impacto nas Empresas Brasileiras
Especialistas apontam que organizações que operarem indiretamente com pessoas ou estruturas ligadas às facções podem ser taxadas de financiadoras do terrorismo, o que pode prejudicar significativamente a economia brasileira. Essa designação pode levar a um clima de desconfiança e dificultar o desenvolvimento econômico. Essa situação torna-se ainda mais complexa quando essas organizações criminosas estão profundamente enraizadas na sociedade.
O Debate Político e a Defesa da Soberania
Em meio a essas tensões, o governo Lula reafirma a indicação de Jorge Messias ao STF, em uma demonstração de respeito à função presidencial. No entanto, essa indicação enfrenta resistência política, o que destaca as divisões internas sobre a melhor forma de lidar com a questão do crime organizado e a influência estrangeira.
Enquanto isso, o Judiciário lida com manipulações de IA, e bancas de advocacia projetam crescimento em diversas áreas, o que demonstra a complexidade e a diversidade dos desafios que o Brasil enfrenta em um cenário global cada vez mais complexo e interconectado. A inclusão de grupos venezuelanos em listas de terroristas e suas consequências geopolíticas servem como um lembrete dos riscos e oportunidades que o Brasil deve navegar para garantir sua segurança e soberania.
A classificação de facções como terroristas pelos EUA levanta questões importantes sobre a soberania nacional e a necessidade de cooperação internacional. O Brasil, ao lado de outros países da América Latina, deve buscar um equilíbrio entre o combate ao crime organizado e a defesa de seus interesses nacionais, a fim de evitar sanções econômicas e intervenções desnecessárias.