A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação em múltiplos estados para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes contra a Caixa Econômica Federal (CEF). A ação, batizada de Operação Digitus Fraus, cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão, além de sequestrar bens e bloquear valores em contas bancárias. A investigação revelou um esquema sofisticado que envolvia desde a falsificação de documentos até a compra de casas lotéricas para desviar recursos da instituição financeira.

Fonte: Metrópoles
Operação Digitus Fraus: detalhes da investigação
A investigação da PF teve início com a prisão em flagrante de três indivíduos em Rio Grande (RS) que sacavam valores de contas da CEF utilizando documentos falsos e biometria irregular. A partir daí, a PF identificou uma organização criminosa com base em Santa Catarina, responsável por coordenar as fraudes em diversas agências pelo país. Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Itajaí (SC), Camboriú (SC) e Balneário Camboriú (SC). As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Federal de Santa Maria.
O esquema criminoso: como as fraudes eram realizadas?
O esquema operava de diversas formas. Uma delas consistia na utilização de dados de vítimas para a fabricação de documentos falsos, que permitiam o acesso às suas contas na CEF. Outra modalidade envolvia o cancelamento de cartões via telefone, com a solicitação de uma segunda via enviada para endereços controlados pelo grupo. Com o novo cartão em mãos, os criminosos desviavam os valores das contas, depositando ou transferindo para contas de terceiros para dificultar o rastreamento.
Lotérica comprada para fraudar a Caixa
Em um caso específico, a PF prendeu um homem no Aeroporto de Natal (RN) que tentava embarcar para Curitiba (PR). Ele é suspeito de integrar uma quadrilha que comprou uma casa lotérica com o objetivo de realizar centenas de autenticações falsas de boletos. O objetivo era redirecionar os valores para contas pessoais e de comparsas. Investiga-se se o esquema contava com a participação de funcionários da rede lotérica e o uso de sistemas internos.
O mesmo grupo pode ter atuado em Suzano (SP), onde uma lotérica foi alvo de um golpe semelhante dias antes.Prejuízos e bens apreendidos
A PF estima que a organização criminosa movimentou, no mínimo, R$ 42 milhões em fraudes. Para garantir o ressarcimento das vítimas, foram sequestrados 17 veículos e um imóvel, além do bloqueio de valores nas contas investigadas. Os suspeitos poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato majorado, falsidades documentais, lavagem de dinheiro e outros delitos.
Próximos passos e implicações
O material apreendido será submetido à perícia técnica, com o objetivo de identificar outros integrantes da organização criminosa e aprofundar o conhecimento sobre o modus operandi das fraudes. As investigações continuam sob sigilo judicial. A Operação Digitus Fraus representa um importante golpe contra o crime organizado e demonstra o compromisso da Polícia Federal em proteger o patrimônio da Caixa Econômica Federal e de seus clientes. Resta saber se as vítimas serão devidamente ressarcidas e quais medidas a CEF adotará para prevenir novas fraudes dessa natureza.