Em uma reviravolta surpreendente, Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, foi eleito presidente da Bolívia neste domingo (19), pondo fim a 20 anos de governos liderados pelo Movimento ao Socialismo (MAS). A vitória marca uma guinada à direita no país, que enfrenta uma grave crise econômica. Paz obteve 54,5% dos votos, derrotando Jorge "Tuto" Quiroga, da Aliança Livre, que alcançou 45,5%.

Fonte: Folha de S.Paulo
Resultados e Reações
Os resultados preliminares foram divulgados pela autoridade eleitoral, com 97,7% das urnas apuradas. A vitória de Paz foi consolidada em 6 dos 9 departamentos do país. O presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Óscar Hassenteufel, declarou a tendência como "irreversível".
Ao votar, Paz expressou a importância do momento. "O importante é que o país vote e se sinta tranquilo, que vote em quem quiser votar e que depois do dia, o presidente eleito governe e nós ajudemos a governar", comentou. Já Quiroga declarou: "Temos com a votação a oportunidade de acabar com 20 anos, duas décadas destrutivas, que deixaram a economia em uma crise profunda".
O Fim de uma Era
A eleição marca o fim de um ciclo de duas décadas do MAS no poder, iniciado por Evo Morales em 2006 e continuado por Luis Arce. A impopularidade de Arce, combinada com uma crise econômica que inclui inflação alta, escassez de dólares e combustíveis, abriu caminho para a vitória de Paz.
Propostas e Desafios do Novo Governo
Rodrigo Paz, que nasceu no exílio em 1967, promete um "capitalismo para todos" e planeja cortar gastos públicos considerados supérfluos em US$ 1,5 bilhão. Ele também defende a liberalização da exploração de recursos naturais por entes privados e uma reaproximação com os Estados Unidos.
O novo presidente enfrentará desafios significativos, incluindo a grave crise econômica e a necessidade de lidar com a figura de Evo Morales, que vive sob um mandado de prisão. Analistas questionam o futuro político de Evo, e o MAS terá de encontrar novos líderes após o rompimento entre Morales e Arce. Que caminhos a Bolívia trilhará sob a nova gestão?
O Cenário Político Pós-Eleição
As pesquisas indicavam que Paz atraiu apoio na região ocidental do país, onde a população indígena é predominante, enquanto Quiroga era mais popular na parte oriental, de Santa Cruz de la Sierra, e entre os agropecuaristas. Edman Lara, companheiro de chapa de Paz, um ex-capitão da polícia boliviana que denunciou corrupção, se tornou um fenômeno nas redes sociais, contribuindo para a vitória.
"Uma história está chegando. Chega de corrupção, chega de injustiça, vai haver mudanças estruturais", disse Lara ao comentar os resultados.
Repercussão e Próximos Passos
O pleito ocorreu sem contratempos, segundo a autoridade eleitoral. Arce e Morales votaram no início da manhã, defendendo a estabilidade do país para que o próximo presidente tenha governabilidade.
Análise da Eleição
Diante da impossibilidade de concorrer às eleições, Morales lançou uma campanha pelo voto nulo. "O que deveria ser uma festa democrática, acabou convertida em uma farsa eleitoral. Uma eleição manipulada para impor candidaturas que não expressam a vontade do povo, apenas do império e das elites econômicas. Hoje nos fazem participar, mas não decidir. No entanto, voltaremos com força indestrutível do povo para reconstruir a pátria e recuperar a esperança.", disse o ex-presidente.
A posse do novo presidente está marcada para 9 de novembro, com a expectativa de que o resultado deste domingo delineie um novo caminho para a política boliviana, para além da era Evo Morales.